sexta-feira, 4 de maio de 2007

Éramos cinco: mais que isso, éramos O CINCO

Por alguma razão, o fato de sermos cinco garotas, unidas por uma amizade recente mas promissora, e por um companheirismo estimulante, nos dava um sentido diferente de identidade. Acabamos por nos identificar como O Cinco. (Uma outra amiga, que fez tarte do grupo, mas que se integrou um pouco mais tarde faria o grupo crescer de cinco para seis, mas as mais conservadoras – leia-se eu – insistiam em nos identificar como o cinco. Admito meu comportamento exclusionista da época, mas acho que cresci desde então).

O cinco se caracterizava pelo sentimento partilhado de amizade e uma confiança mútua cada vez mais forte. Éramos muito parecidas em algumas coisas e totalmente diferentes em quase tudo. Por isso mesmo a amizade era sólida, pois se baseava no respeito à individualidade de cada uma, ainda que isso fosse exercido na forma de discussoes, pequenas brigas e até tentativas de rompimento. Muitos desses momentos estao registrados em cartinhas escritas naquela epoca e cuidadosamente guardadas ate hoje.

Nós todas conhecíamos a família umas das outras, ou quase todas. Visitávamo-nos mutuamente. Havia até uma que esforçou-se (sem sucesso) para literalmente entrar para a família de uma de nós, a qual tinha alguns atrativos disponíveis. Mas essa é outra história e não estou autorizada a contar.

Dito assim, nem parece que a amizade desse grupo de garotas tivesse algo de especial. Pode parecer que éramos nada mais que um grupo típico de adolescentes, vivendo e sentindo as coisas comuns da idade, ao mesmo tempo que partilhando tudo com o grupo mais próximo. Mas não foi apenas isso, e por mais que eu tente descrever ou explicar, não haverá palavra que seja suficientemente clara ou profunda. O que posso fazer para tentar contar aos quarto ventos que O Cinco foi algo particularmente especial, é apenas dizer que ao longo desses vinte anos ele jamais se dissolveu, ainda que eu tenha estado um pouco distante por um tempo. Não apenas se manteve vivo, O Cinco cresceu e se fortificou. Hoje somos seis ou sete (há controvérsias) e Cia. E claro que já não somos O Cinco, somos as Candinhas. E cada Candinha vem acompanhada de seus respectivos e de sua prole (que ainda está em fase de expansão!).

Ser uma das Candinhas é ...


...ter sido parte do Cinco, (eu, Débora, Gil , Bra e Gê)

...mesmo quando apenas o via de fora (Ivone),

...ou nem ter conhecido o Cinco de fato, mas ter estado desde sempre ao lado de uma de nós (Cléo),

...ou ter sido a número seis (Help),

...ou até ter sido efetivamente do Cinco e não ter muito tempo pra ser Candinha (Bra),

...ou mesmo ter sido presence constante na existência do Cinco e continuar bravamente depois de tantos anos sendo nosso querido indiozinho e compaheirinho da nossa amiga e pai de duas fofuchas (uma ainda a caminho). [Sim, tem Candinha que é Candinho :-)]

Mas acima de tudo, ser Candinha é ter um grupo de amigas que está todos os dias disponível pra partilhar risadas e coisas menos agradáveis. É saber que a qualquer dia, a qualquer hora podemos abrir o email e encontrar algo que nos faz sorrir, ainda que quem nos vê rindo diante da tela do computador possa não entender. Partilhamos os emails abertamente entre as Candinhas, embora haja uma ou outra que troca segredinhos em emails particulares (partilhamos tudo, inclusive o direito de não partilhar tudo, quando for o caso).

Estamos geograficamente separadas, vivendo em estados diferentes do Brasil (exceptuando-se as três que vivem no Ceará e duas em Brasília), ou fora dele, como é o meu caso.

Este ano nossa amizade completou vinte anos e isso nos leva a pensar no que nos manteve e bolomantêm tão íntimas. Nos leva também a festejar de diversas formas e a minha maneira de festejar esses vinte anos, é contar aos quarto ventos o quanto sou grata a essas meninas por estarem tão presentes em minha vida, (especialmente nesses anos todos fora do Brasil) apesar de tamanha distância. Eu trabalhei com uma pessoa que costumava dizer que “toda ausência é atrevida”, querendo dizer que quando não estamos por perto as pessoas se revelam. Se isso é verdade, as Candinhas são um exemplo vivo de como uma amizade verdadeira reage às mudanças impostas pela vida, inclusive a ausência.

Continuamos muito diferentes e muito parecidas. Cremos e descremos diferentemente, nos colocamos diante do mundo diferentemente, temos diferentes estilos e gostos, escolhas profissionais que não se encontram. Enfim, certamente não é o narcisismo ou algo do gênero que nos une, nem mesmo os interesses em comum, nem mesmo os objetivos em comum. É apenas o sentimento comum de amizade verdadeira. E é por isso que encho o peito pra dizer bem alto que rendo Graças a Deus pelas minhas queridas Candinhas!

Feliz aniversário, meus amores!
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