quinta-feira, 26 de abril de 2007

Éramos cinco

De repente, entra um vento primaveril, que vem soprando desde o jardim e invade toda a casa e traz com seu cheiro uma saudade de um tempo em que florescia uma amizade, que ainda não sabia o que a vida lhe reservava.

Há exatos vinte anos nos encontramos. Estávamos todas em nosso primeiro dia de aula na universidade. Fazíamos parte do privilegiado grupo dos que passam no vestibular. Éramos meninas entre nossos 16 e 18 anos, cada uma carregando na mochila sonhos e uma boa dose de esperança. Foi nesse momento que nos conhecemos. Foi nesse momento que nasceu essa amizade, que nos presenteou com uma história linda, um passado inesquecível e um presente …bem, do presente falo depois.

Éramos cinco. Cinco garotas muito diferentes e muto parecidas. Foram nossas diferenças e nossas semelhanças que fizeram de nós um grupo peculiar, que não passava despercebido pelos corredores da Universidade. Éramos as garotas do Serviço Social que andavam sempre juntas, sempre rindo, papeando, cantando, às vezes paquerando, às vezes namorando, às vezes apenas estando juntas.

São memórias tão vivas que guardo daquele tempo. Sentimentos tão fortes. Vinte anos se passaram, e muita coisa mudou no mundo e na vida de cada uma de nós. Cada uma seguiu seu rumo, cada uma a seu modo “abandonou” o Serviço Social. Eu fui a primeira desertora, e mudei até de curso. As outras todas se formaram como AS (Assistente Social), mas nenhuma delas seguiu a carreira.

Vinte anos! Exatos vinte anos e eu poderia hoje estar me perguntando o que foi feito de cada uma delas. Eu poderia estar feliz com o surgimento do Orkut, assim eu poderia fazer uma busca e quem sabe localizar alguma delas. Eu poderia até ter uma grande surpresa ao descobrir quem casou, quem não casou, quem teve filhos, quem não teve. Acontece que não vou procurá-las nem no orkut, nem em lugar algum.

… mas essa história eu conto amanhã…

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Primeiro caso de amor

bolo de palhaco
O primeiro homem que amei na vida foi certamente meu pai, porém, o primeiro homem a viver comigo uma Linda história de amor, com uma dose forte de cumplicidade, uma profunda amizade, e uma certeza de aceitação irrestrita mútua foi meu irmão mais novo. Não que isso diminua meu amor por meus irmãos mais velhos, mas eles já eram grandinhos quando nasci, e andavam ocupados com coisas de gente grande.

Mas o meu irmão menor foi quem me ensinou as coisas grandes e importantes da vida. Foi com ele que aprendi que “ser diferente não é ser melhor nem pior, apenas diferente”, muito antes da Alícia escrever isso. Foi com ele que aprendi que uma menina pode ser forte e lutadora. Por causa dele aprendi muito mais sobre mim mesma e sobre as pessoas. Aprendi muito cedo a perdoar as pessoas que não compreendiam a beleza e a singeleza daquela infância eterna, daquela idade sempre descompassada, não dizendo muito sobre a pessoa mesma, pois para ela os anos são contados em outro ritmo, outro compasso.

Num dia como hoje ele chegava ao mundo, entrava para a minha vida e dava com isso um enorme sentido a ela. Num dia como hoje iniciava-se um calendário diferente, pois há 37 anos esse dia marca a sua mudança de idade, e ainda hoje ele não chegou à maioridade. Continua uma criança em muitos aspectos, quase todos. Seu lado adulto se revela em sua profunda percepção dos sentimentos das pessoas.

Hoje ele faz aniversário, mas não estou por perto pra fazer seu bolo confeitado. Já teve bolo de vários motivos, mas nos últimos anos ele só queria bolo “de palhaço”! Quando eu não tinha tempo de fazer, encomendava. Certamente quem fazia o bolo jamais imaginaria a idade da criança dona daquele bolo. Para ele, o aniversário dele tinha que ter bolo de palhaço e “sezente”. Com a minha distância ele passou a aceitar outros bolos, mas continua gostando dos presentes.

Aquele com quem vivi a primeira história de amor da minha vida, que dura até hoje, e durará enquanto durar a vida, tem o olhar mais expressivo que já vi, e que conhece o meu melhor que qualquer um. Sempre que me sinto triste, bate uma saudade incomensurável dele dizendo: “Que foi, Iaí?”

Feliz Aniversário, Cecé!


P.S.: Esqueci de dizer que quase sempre ele chorava emocionado na hora dos parabens, e que mesmo nao podendo acessar a net sozinho, se alguem lhe mostrar esse post com essa imagem ele vai chorar emocionado! {exatamente como eu agora a imaginar...]

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Lula e os controladores


Não posso dizer que tenho uma opinião bem formada a respeito dessa situação na aviação civil brasileira. Quando ando mais atarefada por aqui, não me detenho a me inteirar das coisas que acontecem no Brasil, exceto minha família. Foi o caso agora, e uma amiga me enviou a reportagem e uma outra comentou. Transcrevo aqui o que a Claudinha disse:









A reportagem é bem interessante. No entanto, muito melodramática (se é assim que se escreve). Se a gente for pensar na grande parte da população que vive na miséria e por isso deixar de lado nossa indignação e calar a voz, então até mesmo os "pobres coitados dos controladores de vôo" estão exagerando com o seu motim.

Não achei feliz a comparação feita pelo autor da "mulher ricamente vestida" aos berros com os indigentes brasileiros. Não quero de forma alguma justificar os berros daquela e de tantas outras senhoras e senhoritas (muito menos daquele idiota que deu na cara da surpevisora da companhia aérea). Mas muito provavelmente, se eu me encontrasse em situação semelhante a dela(s) teria ficado P da vida. E xingado e muito.

Não pelo fato de não poder viajar. Não era por isso que a grande e esmagadora maioria estava gritando "aos berros" nos aeroportos. Era pela falta de respeito aos passageiros que não recebiam uma única informação. Nem que fosse para informar que o vôo havia sido cancelado para que as pessoas pudessem retornar pra casa, pro hotel, enfim.... A grande e esmagadora maioria, pela falta de informação dada pelas companhias aéreas, simplesmente era obrigada a permanecer no aeroporto até que numa bela hora anunciassem seu embarque.

Brincadeira, né???

Uma outra coisa que me chamou a atenção no artigo foi a forma como o autor classificou o perfil dos passageiros que viajam de avião. Acredito que ele não sabe que atualmente o valor da passagem aérea é, para muitos trechos, até inferior ao valor das passagens de ônibus, por ex. Na minha opinião, o autor poderia dedicar um pouco da indignação dele à falta de informação da população. Porque se as pessoas fossem mais e melhor informadas, com certeza teríamos um número cada vez maior de pessoas viajando pelos ares.

Sem contar que, apesar de toda a insegurança aérea, viajar por terra ainda oferece uma série bem maior de riscos (entre eles os acidentes causados pelo péssimo estado das rodovias e os constates assaltos praticados aos ônibus interestaduais) .

Enfim...

Qto ao modo como o autor se refere ao presidente, acho até engraçado. Ainda mais vindo da Caros Amigos que assim como a Carta Capital tem sido grande aliada da esquerda e, portanto, ainda que indiretamente, a grande promotora do Lula na primeira eleição dele. Ora, ora...

Vou perdoar porque li ontem a entrevista do Ministro da Justiça, o senhor Tarso Genro, na revista Veja desta semana e pude (pasmada) vê-lo assumir que o importante é criticar quem está lá no poder, ainda que na sua vez vc faça tudo igualzinho, igualzinho.. .. (bufo!!!)

Aí, me vejo, infelizmente e mais uma vez, diante daquilo que tenho falado, falado e falado:

O PODER, meu povo, O PODER CORROMPE!!!! qualquer um. Seja o Lula, seja eu, seja vc, seja a chapeuzinho, seja o lobo ou seja a vovozinha.

A solução? mudar a mentalidade do brasileiro. Mas aí são outros quinhentos!! !! Fica proutro email.

P.S. Onde tem autor, leia-se autora, hehehehe....




Ana Claudia Torres