sexta-feira, 13 de abril de 2007

Primeiro caso de amor

bolo de palhaco
O primeiro homem que amei na vida foi certamente meu pai, porém, o primeiro homem a viver comigo uma Linda história de amor, com uma dose forte de cumplicidade, uma profunda amizade, e uma certeza de aceitação irrestrita mútua foi meu irmão mais novo. Não que isso diminua meu amor por meus irmãos mais velhos, mas eles já eram grandinhos quando nasci, e andavam ocupados com coisas de gente grande.

Mas o meu irmão menor foi quem me ensinou as coisas grandes e importantes da vida. Foi com ele que aprendi que “ser diferente não é ser melhor nem pior, apenas diferente”, muito antes da Alícia escrever isso. Foi com ele que aprendi que uma menina pode ser forte e lutadora. Por causa dele aprendi muito mais sobre mim mesma e sobre as pessoas. Aprendi muito cedo a perdoar as pessoas que não compreendiam a beleza e a singeleza daquela infância eterna, daquela idade sempre descompassada, não dizendo muito sobre a pessoa mesma, pois para ela os anos são contados em outro ritmo, outro compasso.

Num dia como hoje ele chegava ao mundo, entrava para a minha vida e dava com isso um enorme sentido a ela. Num dia como hoje iniciava-se um calendário diferente, pois há 37 anos esse dia marca a sua mudança de idade, e ainda hoje ele não chegou à maioridade. Continua uma criança em muitos aspectos, quase todos. Seu lado adulto se revela em sua profunda percepção dos sentimentos das pessoas.

Hoje ele faz aniversário, mas não estou por perto pra fazer seu bolo confeitado. Já teve bolo de vários motivos, mas nos últimos anos ele só queria bolo “de palhaço”! Quando eu não tinha tempo de fazer, encomendava. Certamente quem fazia o bolo jamais imaginaria a idade da criança dona daquele bolo. Para ele, o aniversário dele tinha que ter bolo de palhaço e “sezente”. Com a minha distância ele passou a aceitar outros bolos, mas continua gostando dos presentes.

Aquele com quem vivi a primeira história de amor da minha vida, que dura até hoje, e durará enquanto durar a vida, tem o olhar mais expressivo que já vi, e que conhece o meu melhor que qualquer um. Sempre que me sinto triste, bate uma saudade incomensurável dele dizendo: “Que foi, Iaí?”

Feliz Aniversário, Cecé!


P.S.: Esqueci de dizer que quase sempre ele chorava emocionado na hora dos parabens, e que mesmo nao podendo acessar a net sozinho, se alguem lhe mostrar esse post com essa imagem ele vai chorar emocionado! {exatamente como eu agora a imaginar...]
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