quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Quando nosso tempo é restrito chovem hoaxes


Quando temos mais atividades a fazer do que o tempo disponibilizado para elas, costumamos super-valorizar o prejuizo de cada minuto dispensado ao que nao seja essencialmente importante. Bom, eu pelo menos sou assim. Vivendo exatamente uma fase dessas, chega-me a tirar a paciência a quantidade de mensagens que me chegam por email, e que na verdade nem sao verdadeiramente para mim. Recentemente recebemos aqui em casa, de destinatários distintos e diversos, uma mesma mensagem que inicialmente nos impressionou, até nos moveu a ajudar. Tentando ajudar, investi alguns minutos do meu escasso tempo a procurar uma informacao que, acreditávamos, poderia ajudar uma criança enferma. Nessa busca descobri que a mesma mensagem já circulava na Internet em 2001 com o texto exatamente igual, os nomes das pessoas, a idade da criança. Bingo! Mais um hoax. Cada coisa que aparece que parecem duas.
Nao foi o primeiro, nem será o último. Invariavelmente essas mensagens de hoax nos colocam numa posiçao desconfortável diante de quem nos envia. Nem sempre dispomos de tempo para responder a cada pessoa explicando que aquilo que nos enviou tratava-se na verdade de um embuste, ainda que façamos isso, fica a critério da pessoa fazer o mesmo a quem enviou e de quem recebeu. Nem sempre as pessoas estao prontas a desacreditar naquilo que acreditaram. Seja como for, achei melhor partilhar o assunto aqui, crendo que há mais pessoas padecem do mesmo mal. Aproveito e transcrevo aqui parte do artigo da Wikipédia sobre hoax, e me permiti fazer pequenas modificaçoes. Segue o texto adaptado da Wikipédia.














  • Dá-se o nome de hoax ("embuste" numa tradução literal) a histórias falsas recebidas por e-mail, cujo conteúdo, além das conhecidas correntes, consiste em apelos dramáticos de cunho sentimental ou religioso, supostas campanhas filantrópicas, humanitárias ou de socorro pessoal ou, ainda, falsos virus que ameaçam destruir, contaminar ou formatar o disco rígido do computador.
    Uma dica simples é sempre acessar o site da empresa envolvida no "hoax" ou tentar ligar para eventuais números mencionados na mensagem, de modo a verificar a sua autenticidade. Porém, algumas regras já consolidadas pela experiência, indicam uma boa conduta e têm grande valor no combate à pirataria de e-mails:


  • Ao encaminhar mensagens para destinatários múltiplos, use sempre o campo de "Cópia Oculta" (CCo ou BCC). Lembre-se que nem todas as pessoas querem ter seus endereços de email circulaando pela Internet desnecessarimente, a menos que você tenha consultado as pessoas antes de enviar seus nomes e endereços a todos os seus contatos.



  • Antes de responder ou repassar qualquer e-mail, limpe as mensagens anteriores que não sejam relevantes. Limpe também eventuais resíduos e formatos desnecessários do texto antigo e, principalmente, limpe todos os endereços de e-mails que possam restar juntos à mensagem original.



  • Não repasse a sua versão da mensagem como anexo. Essa prática induz a formação de sucessivos anexos de anexos que sempre escondem endereços de e-mails alheios, além de revelar o seu desinteresse pelo conteúdo encaminhado.



  • Evite mensagens que contenham tão somente programas executáveis ou apresentações do tipo PowerPoint pois, além de exigirem requisitos técnicos próprios, recursos de máquina e disponibilidade de tempo ao leitor, são absolutamente impessoais. Ao encontrar uma mensagem em formato PowerPoint que lhe agrada e que deseja partilhar com seus amigos, escolha os amigos de acordo com a mensagem em questao e envie apenas para estes, lembrando sempre de enviar uma mensagem sua, algo pessoal, dirigido diretamente a quem vai receber a mensagem. Nunca envie a mesma mensagem a todos os seus contatos, isso demonstra apenas que voce gostou da mensagem e isso nao é motivo suficiente para alguém desejar abri-la.



sábado, 13 de outubro de 2007

Esquina invisível

Combate à prostituição infantil deve ser feito por toda a sociedade



05/10/2007 00:30


Quem passar pelo cruzamento da Rua Barão do Rio Branco com a Av. Leste-Oeste, nas proximidades do Passeio Público, vai encontrar uma cena deplorável. Alguém poderá dizer que, se a cena for de meninas prostituídas, não há nenhuma novidade, pois é uma coisa comum pelas ruas da cidade de Fortaleza. O drama a que me refiro, em pleno centro da cidade, é um tanto diferente da prostituição no calçadão da praia, igualmente preocupante, mas com meninas arrumadas, de mini-saias, maquiadas e cheias de sensualidade precoce. No cruzamento de que falo, postam-se pequenas meninas magrelas, pálidas, mal-vestidas, descabeladas, quase invisíveis. Oferecem seu corpo na esquina para os desvalidos semelhantes a elas, em troca de drogas. Quando encontram alguém, carregam para o terreno baldio em frente à Santa Casa de Misericórdia. A triste realidade foi mostrada há poucos dias, por um canal de televisão local. Depois disso, fui lá e nada mudou. Infelizmente, a consciência social parece um tanto adormecida para este fato. O povo de uma cidade não pode ser cúmplice da prostituição infanto-juvenil, um dos problemas mais graves do nosso país. Essas meninas sofrem com a miséria econômica, o abandono, a violência dentro de suas famílias e na rua, mas principalmente são vítimas da indiferença dos órgãos públicos. A cada dia elas são lançadas às ruas como cães vadios. Ficam ao acaso, reféns do abuso e da exploração sexual dos adultos. Ao invés de atenção especializada, sofrem o repúdio coletivo, tornando-se vítimas de um modelo social que lhes rouba o direito fundamental de viver dignamente. Na opinião de alguns, estão na rua porque querem. Para estes, o cotidiano destas mulheres meninas não lhes diz respeito. Que todos possam ouvir o tão atual apelo do poeta Bertolt Brecht: “Nós pedimos com insistência: Nunca digam - Isso é natural!


Artigo publicado no O Povo e reproduzido aqui com permissão da autora
*Nota: Hiperlinks inseridos por mim.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ano Novo

Agenda 2007/2008


Desde que vim morar aqui, descobri que durante um ano posso ter diversos “anos novos”, ou pelo menos, diversos recomeços de ano. Depois do primeiro de janeiro, que é o mais legítimo início de ano, vem o início da primavera, que ganhou ares de ano novo para mim. Tempo de renovar forças, renovar cores e odores, num período repleto de flores e alguns raios de sol.

Mas hoje estou mais uma vez vivendo uma nova virada de ano. Hoje termina meu primeiro período de férias de verão, embora de férias não tenha tido muito, e amanhã inicia-se meu segundo ano acadêmico. Deixei para trás o hábito de comprar agenda no final do ano de calendário. Agenda nova agora chega em julho. Amanhã retomo algumas atividades mais práticas na Universidade e meus dois filhotes retomam suas atividades fora de casa, longe das asas protetoras da mummy e do papai.

Respiro fundo, mergulho em meus planos e foco nos meus sonhos, renovo as forças, seguro na mão de Deus e vou. Este ano precisa ser bondoso, precisa andar em um compasse que eu o acompanhe, precisa lembrar que no ano passado tive de me redobrar para ser estudante e trazer ao mundo uma menina adorável. Que este ano novo seja generoso em seu passar. Que o outono que já me rodeia se mostre inspirador e o que inverno, que já faz sua serenata ao longe, venha sereno e modesto. Que os dias curtos sejam um estímulo, que a brevidade da luz sirva-lhe para dar maior valor.
Que em meio a tudo isso, o ano novo seja próspero e cheio de paz.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Caderno de espiral


Na minha meninice havia um caderno.
Era um caderno tamanho A4, espiral de arame e páginas azuis
Dentro do caderno havia um tesouro
A letra perfeitamente traçada, redonda e lindamente desenhada
A letra da minha irmã

As páginas azuis tão bem cuidadas, a forma metódica e limpa com que aquelas anotações tinham sido feitas
Eram quase um mito pra mim
Aquele caderno usado e desatualizado, caderno do ano passado,
E por isso mesmo por mim herdado,
Servia-me de inspiração, estímulo e modelo.

Minha ingenuidade de menina dava-me esperanças de um dia ter uma letra tão linda
E um caderno tão admirável.
Movida por esse desejo, muitas vezes pus-me a desenhar aquela letra – sob os protestos da minha mãe – imitando o traço, imitando cada curva, cada volta geometricamente perfeita.
Foi nesse tempo que minha própria letra transformou-se em um desastre, um caos – confirmando as previsões da minha mãe.
Minha metra havia se perdido de mim, talvez fugiu chateada com meu descaso com ela.

Perdi-me entre o desejo de beleza que a caligrafia derramada no papel azul me instigava e a minha própria, de aprendiz de mim mesma.
Meu traçado tornou-se conflituoso e não se podia achar em minha escrita nem a beleza desejada
Nem a minha verdadeira identidade

O tempo encarregou-se de me revelar a beleza que havia no meu jeito de escrever.
Encarregou-se também de me mostrar os caminhos a que me levavam o meu próprio traço.

Nos dias de hoje ando novamente em busca da minha marca, naquilo que escrevo.
Habitando os labirintos da escrita numa segunda língua, muitas são as vezes que perco de vista todo o nexo e sinto uma saudade enorme da beleza.

Em horas assim, procuro dentro de mim aquelas páginas azuis.
Aquela inspiração arredondada, geométrica, nascida da perfeição da letra da minha irmã.
Mergulho fundo em meu coração e vou buscar meu lindo caderno azul, para assim escapar do caos.