segunda-feira, 27 de abril de 2009

Goiabada, filosofia barata e Kalina

Estava aqui diante do meu pacotinho de goiabada e filosofando pensando besteira. Ocorreu-me que a onda de blogs, orkut e afins tem alterado nossa forma de ler e contar historia. A gente agora lê o final primeiro. As coisas mais recentes ficam sempre antes das mais antigas.
Eu não tinha parado para pensar nisso ainda, mas agora sentada na cozinha, comendo goiabadinha ainda sinto a delicia do abraco da amiga que saiu daqui agorinha há pouco e essa lembrança tão recente me faz pensar no quanto espero repetir a dose. Então vou contar nossa tarde meio de traz pra frente.
Começando aqui das quase findas goiabadinhas (a foto foi tirada antes delas começarem a ser literalmente devoradas, portanto, a foto esta muitíssimo desatualizada rs). Antes de sentar aqui para me deliciar sozinha com essa doçura, fiz parte de um abraco gostoso com uma amiga recente que já se tornou amiga queridíssima Nordestina da peste, me deixou depois do tal abraco, mas isso foi depois de termos desfrutado de momentos de gargalhadas, abraços e beijinhos com meus pequeninos. Acho que foi a primeira vez que eles receberam tanto calor humano de alguém que não fosse família Crianças crescendo em um contexto em que as pessoas são comedidas nas demonstrações de carinho, aprendem cedo a se conter. Mas ela os conquistou e os fez gargalhar em seus abraços arrochados e seus cheiros nordestinos.
Mas nem sempre foi assim. Antes disso eles rodeavam a mesa do almoço, escapando de sentar e comer direitinho como a mãe adoraria mostrar que eles sabem fazer tão bem. Curtiram a liberdade dada pela mãe ocupada com o papo em português com a amiga divertida (isso bem depois do primeiro momento quando se esquivavam da aproximação da visita). Almoço no jardim, celebrando a primavera, apesar doventinho gelado fazer certas pessoas do Piauí sair correndo para botar o casaco, enquanto certas pessoas brabas do Ceara bancam as fortes e não se rendem, sustentando o modelito vestidinho de verão Tudo em torno de um almoço simples, mas feito com amor.
Falando nisso, o almoço nem sempre esteve assim, servido sobre a mesa do jardim. Quando a visita chegou o dito cujo estava na forma nada apetitosa de comida crua, sendo preparada, agora em meio a uma conversa e outra, um menino e outro vindo dizer algo ou pedir algo, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Aos olhos da visita o almoço foi sendo preparado, e um cafezinho na cafeteria chiquérrima, servia apenas para inundar o espaço do aroma familiar, mas a dona da casa jamais lembrou de servir o dito cujo. Jamais er um pouco demais, porque sim, entre esse momento da preparação do almo e aquele abraco apertado da partida, houve sim espaço para não apenas um, mas dois cafezinhos com pão e manteiga.
Mas muito antes do almoço começar a ser preparado, as crianças se preparavam para conhecer essa tia nova que viria falando português e oferecendo o calor reconfortante da amizade. Nome da amiga na ponta da língua, bons modos suplicados pela mãe e prontamente ignorados claro, espaço bagunçado a moda da casa, no estilo Clarissiano de espalhamento dos elementos por todos os cantos e recantos. Pequenos ajustes no estiloLeonardiano de tentar botar ordem no caos fraterno [sem muito sucesso, diga-se]. Musica brasileira tocando alto, gritando aos quarto ventos que a casa estava feliz, sorridente, pronto pra abrir os bracos e deixar entrar a amiga.

Mas quem diria que tudo isso começou graças a dois ou três encontros totalmente casuais pelo campus da universidade, depois de uma espiada mutua em perfis no orkut, contatos tímidos iniciais em comunidades e finalmente o add friend. Antes disso, esse terreno era sem forma e vazio. Nos não existíamos uma pra outra. Felizmente esse não e o fim da historia, mas o começo
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