sábado, 9 de dezembro de 2006

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

O Especialista em Dinossauros

Convite lancamento livro da Lia
Clique aqui e conheça essa obra.
Queria estar lá! Um beijo enorme, Lia.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

"Havia, em algum lugar, um parque cheio de pinheiros e tílias, e uma velha casa que eu amava. Pouco importava que ela estivesse distante ou próxima, que não pudesse cercar de calor o meu corpo, nem me abrigar; reduzida apenas a um sonho, bastava que ela existisse para que a minha noite fosse cheia de sua presença. Eu não era mais um corpo de homem perdido no areal. Eu me orientava. Era o menino daquela casa, cheio da lembrança de seus perfumes, cheio da fragrância dos seus vestíbulos, cheio das vozes que a haviam animado."

(Antoine de Saint-Exupéry)

sábado, 28 de outubro de 2006

Reformar é não ter emenda possível

Todo o dia, em toda a sua desolação de nuvens leves e mornas, foi ocupado pelas informações de que havia revolução. Estas notícias, falsas ou certas, enchem-me sempre de um desconforto especial, misto de desdém e de náusea física. Dói-me na inteligência que alguém julgue que altera alguma coisa agitando-se. A violência, seja qual for, foi sempre para mim uma forma esbugalhada de estupidez humana. Depois, todos os revolucionários são estúpidos, como, em grau menor, porque menos incómodo, o são todos os reformadores.
Revolucionário ou reformador - o erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, ou o seu próprio ser, que é quase tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador, é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível. O homem de sensibilidade justa e recta razão, se se acha preocupado com o mal e a injustiça do mundo, busca naturalmente emendá-la, primeiro, naquilo em que ela mais perto se manifesta; e encontrará isso em seu próprio ser. Levar-lhe-á essa obra toda a vida. Tudo para nós está em nosso conceito do mundo; modificar o nosso conceito do mundo é modificar o mundo para nós, isto é, modificar o mundo, pois ele nunca será, para nós, senão o que é para nós.


Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

SEM NET

Estou fora do ar sem data prevista para o retorno.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Correndo contra o tempo

Estou correndo contra o tempo, enquanto tento transformá-lo em aliado. Os dias passam correndo e por mais que eu me esforce não os alcanço com todos os meus planos.
foto de mudancaA casa metamorfoseando-se numa pilha de caixas viajantes, que pretendem ser cartola de mágico e daqui a uns dias tirar de dentro de si não coelhos nem lenços coloridos mas nossa casa.

Tento ignorar a pilha e mergulho em outros mundos de pansamentos alados, que pretendem também fazer a magia de fazer surgir aos nossos olhos algo que não estamos vendo.

Enquanto brinco de fazer de conta que as caixas não existem, eu mesma ajudo a pilha a crecser minuto a minuto, em meio às minhas mudanças de papel, para dar conta de cada detalhe que me chama.

Um pequenino brinca, ri, canta e corre, desfrutando dos espaços vazios deixados pelos coelhos que pularam para dentro da cartola mágica e da recente liberdade deixada pelos olhos sempre tão atentos da mãe, que agora parecem dar mais permissões do que o costume.

Assim, são meus dias apressados, correndo contra o tempo enquanto corro atrás de um sonho. No final de cada dia, deixo-me render pelo cansaço e descanso confiante de que em poucos dias a correria será subtituída pelos ares novos das novas janelas, onde os sonhos, que foram construídos aqui, encontrarão terreno fértil para florescer.

Agora preciso novamente transformar-me em Coelho da Alice e correr, correr…estou atrasada…estou atrasada...

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Utilidade pública

Não costumo divulgar esse tipo de informação no Crônicas, mas recebi isto por e-mail e me pareceu importante divulgar aqui.
"Há algum tempo, fui a um seminário sobre Câncer de Mama, conduzido por Terry Birk, com o apoio de Dan Sullivan.

Durante os debates, perguntei por que a área mais comum para desenvolver tumores cancerígenos no peito é perto da axila. Minha pergunta não pôde ser respondida na hora. Esta informação me foi enviada recentemente, e me alegro que minha pergunta teve resposta.
Transmiti a uma amiga que está fazendo quimioterapia e ela comentou que também havia se inteirado desta informação, em um grupo de apoio que está freqüentando.

Agora quero compartilhar a informação com vocês. A principal causa de câncer de mama é o uso de antitranspirantes! Sim, ANTITRANSPIRANTES. A maioria dos produtos no mercado são uma combinação de Antitranspirantes/desodorantes. Chequem as etiquetas. Desodorante está bem, antitranspirante, não. A concentração das toxinas provoca a mutação das células: CÂNCER.
Eis aqui a razão: O corpo humano tem só algumas áreas por onde eliminar as toxinas: atrás dos joelhos, atrás das orelhas, na área das virilhas e as axilas. As toxinas são eliminadas com a transpiração. Os antitranspirantes, como seu nome claramente diz, evitam a transpiração; portanto, inibem o corpo de eliminar as toxinas através das axilas. Estas toxinas não desaparecem magicamente. Ao contrário, o corpo as deposita nas glândulas linfáticas que se encontram debaixo dos braços, na medida em que não saem pelo suor. A maioria dos tumores cancerígenos do seio, ocorrem neste quadrante superior da área da mama. Precisamente onde se encontram as glândula. Nos homens parece ocorrer em menor proporção, mas não estão isentos de desenvolver câncer de mama por causa dos antitranspirantes.
A diferença está que os antitranspirantes usados pelos homens não são aplicados diretamente sobre a pele; ficam, em grande parte, nos pelos axiais. As mulheres que se aplicam antitranspirantes logo após rasparem as axilas, aumentam o risco devido a minúsculas feridas e irritação da pele, que fazem com que os componentes químicos nocivos penetrem mais rapidamente no corpo. Por favor, passem esta mensagem a todas as pessoas. O câncer da mama está se tornando tremendamente comum, e esta advertência pode salvar algumas vidas. Se não estão suficientemente seguros desta informação, podem fazer suas investigações. Provavelmente chegarão à mesma conclusão."

FAVOR DIVULGAR PARA TODAS AS MULHERES, POR TODOS OS MEIOS DISPONÍVEIS.

Sc. GABRIELA CASANOVA LARROSA, Prof. Assistente Depto de Biologia Celular e Molecular, Séc Biologia Celular Faculdade de Ciências, Universidade da República Oriental do Uruguay.
Endereço: Igua 4225, Piso 7 - Ala Sur - Cod Postal 11400
Teléfono; (598-2) 525.86.18 al 21 (internos 145 y 218) Fax:(598-2)
525.86.17
Mirna Fernanda de Oliveira Doutoranda em Lingüística

FCL - UNESP - ARARAQUARA.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...

(Álvaro de Campos, in Reticências)

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Saudade


Nem sempre sabemos explicar o sentido dessa palavra. Escolhi uma imagem para fazer isso por mim: boneca de papel

terça-feira, 27 de junho de 2006

Perfumes

    Ando sem tempo, ando sem inspiração para as crônicas diárias (minha isnpiração anda ocupada). Por esta razão, trago hoje uma crônica antiga, que escrevi em 2005.



Agora há pouco, um vento soprou trazendo consigo um perfume antigo, que estava guardado dentro de minhas lembranças. Inspirei o cheiro familiar profundamente, embora o odor estivesse apenas no vento da minha mente e não no ar onde, imersa, respiro. Uma vez, outra e mais outra. O perfume era tão presente, tão vívido e real que parecia estar mesmo impregnando o ambiente. A saudade por vezes faz destas artimanhas, exala seus cheiros e nos leva a outros tempos e outros lugares.

Montei nesse cavalo alado perfumado, completamente imaginário e totalmente real, e fui longe, muito longe do lugar onde me encontro fisicamente. Fui perto, muito perto de onde estão ancorados meus navios fugitivos. Um cheiro desses não nos visita todos os dias. Não com essa força, nem com essa realidade explícita em seus contornos implícitos. Esse poder de transportar os saudosos, de levá-los onde seus corpos já não chegam, de tocar o que suas mãos já não alcançam, é um poder absoluto e imbatível. Não há força maior que esta, realizar o mais sagrado desejo, sem contudo realizá-lo de fato, enquanto preenche a alma de uma realização que quase toca o real.



O perfume me levou à cozinha da minha infância, muito embora não fosse cheiro culinário que estivesse comigo. Na cozinha da minha meninice encontrei minha mãe, que rapidamente saiu para dar lugar ao meu irmão que fritava uns peixes miúdos que ele mesmo tinha pescado. Mas durou muito pouco a tal fritura, porque logo voltou minha mãe e encheu aquela cozinha com o cheiro magnífico do milho fervendo. Era a canjica que estava quase pronta. Mas o cheiro da canjica só esteve naquela cena, não veio fazer companhia ao outro perfume.

A cozinha antiga era escura, tinha móveis envelhecidos. Era cozinha pobre, cozinha do interior. Era a cozinha da minha casa. Mas a cozinha metamoforseou-se na cozinha da minha mãe, mas de outro tempo. Tempo de menina-moça, menina tornando-se mulher, aprendendo a arte dos sabores...

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Passaram-se muitos dias e aquele cheiro nunca mais voltou. Nem eu acertei o caminho das cozinhas; nem da mais antiga, nem da mais recente. Tinha ficado ali, parada, olhando para mim mesma a brincar de cozinheira, preparando quitutes no meio da tarde. Fiquei tão presa a aquela cena, que dali mesmo tive de voltar. Voltei para onde nunca saí, e pus-me à espera de algum odor mágico que me desse bilhete de viagem. Mas todos os cheiros que me rodearam desde então, foram os cheiros da realidade. Cheiro de chuva quando chove, cheiro de comida sendo preparada, quando a comida está sendo preparada, cheiro de umidade guardada em gavetas, quando se abre uma gaveta que guardou umidade. Cheiros de redundância realística, tão peculiar a tudo que é puramente real.

Talvez seja essa redundância que embriaga algumas mentes e as leva a mundos diversos, causando espanto aos amantes da realidade pura e simples. Embriagados dessa realidade pleonástica, que não fala nada além do que se vê, cheira ou prova, alguns fugitivos seguem rumos oblíquos, ouvem o que ninguém mais ouve, enxergam o que mais ninguém enxerga. Tocam sua música extraodinária e tudo o que os outros ouvem é um amontoado de notas. Ou pintam suas paisagens sublimes e tudo o que os outros vêem é uma tela que se enquadra nesta ou naquela categoria de arte.
Os fugitivos são solitários, ainda que sejam muitos. Ainda que se conheçam e saibam que há outros de sua espécie. Ainda que andem lado a lado, cada um foge numa direção diferente. Ainda que andem de mãos dadas, eles sabem que as mãos dadas sao traços da reallidade redundante da qual fogem. Almas dadas, almas entrelaçadas, isso sim, alguns fugitivos têm. Mas ainda assim, cada fugitivo sabe-se sozinho. Ninguém foge acompanhado.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Códigos e metáforas

imagem da estrangeiraSempre gostei de enigmas, sempre amei as metáforas e sempre gostei do mistério que há debaixo das coisas e dos seres. Nos últimos anos, fui sendo cada vez mais tomada por uma necessidade de guardar-me entre minhas palavras e expressar-me através do meu silêncio. Acho que tenho mudado móveis de lugar, como numa tentativa de sentir o espaço sempre renovado. Se antes eu falava demais, falava de tudo e de nada, detalhava o que nem sempre precisava de tantos detalhes, se transbordava minhas explicitudes para não revelar minhas implicitudes, agora tinha posto o sofá no quarto e a cama na sala. Já tinha começado a cozinhar no banheiro quando deparei-me com o desejo de buscar uma nova ordem. Talvez essa nova estrutura tenha de certa forma me desestruturado para criar uma outra.
O crônicas de uma estrangeira. faz parte desse novo movimento de resgate do direito de falar a língua dos homens, a língua do mais simples dos mortais. Minhas metáforas estarão sempre comigo, elas me encantam e me protegem, mas não quero que elas me prendam. Por isso, o estrangeira tem sido uma porta entreaberta. Gosto de poder guardar-me do lobo-mau que pode rondar a floresta, mas também gosto de instigá-lo, cutucá-lo com vara curta e nem sempre correr. E por mais que eu tente ser explícita, sempre serei o que sou, o que cada um de nós de fatoée: um mistério até para si mesmo.

Tão bom saber que você caminha ao meu lado pela estrada afora, vindo o lobo ou não, e assim, pela estrada afora não vou bem sozinha nem levo doces para ninguém.


Crônica escrita em: 12.05.06

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Correio!

capa do livro Nos meus tempos de menina, a chegada do carteiro exercia um enorme fascínio sobre mim. Aquela voz que gritava “correio!” fazia meu coração saltar de emoção e minhas pernas apressarem-se para ir receber os envelopes. Naquele tempo, quase nunca havia algo para mim, exceto na época do Natal, quando eu recebia diversas retribuições aos cartões que eu cuidadosamente enviava com a devida antecedência. Acho que meus cartões de Natal de então eram na verdade mensagens cifradas. Eles diziam coisas graciosas em votos sinceros, mas por traz de cada palavra, de cada ilustração, de cada envelope, havia uma mensagem que dizia: “por favor retribua-me, para que o carteiro grite correio pra mim!” E funcionava. Boa parte dos amigos me mandava belos cartões de agradecimentos e desejos de feliz ano novo, os quais eu guardava e colecionava organizando por ano. Eles ainda existem lá no Brasil.

Exceptuando o período natalício, as únicas vezes em que o carteiro fazia meu coração saltar, minhas pernas correrem e minha boca sorrir ao olhar o envelope com meu nome escrito, era quando minha irmã, que morava noutra cidade, escrevia alguma cartinha.

Durante muitos anos a voz do carteiro continuou a exercer fascínio sobre mim, até que os muros ficaram altos, os portões fechados e os carteiros mudos, aprenderam a colocar as cartas em caixinhas, ou no caso da casa da minha mãe, a tocar a campainha ao invés de gritar “correio!”. Os anos passaram e eu já não estava em casa nos horários da passagem do correio. Era o porteiro quem me entregava os envelopes, majoritariamente timbrados e de conteúdo já previsível, mesmo antes de sua chegada. Pouco a pouco o encanto da surpresa trazida por mãos estranhas foi-se transubstanciando em novos significados. Depois veio a Internet com suas mensagens eletrônicas, e a fascinante voz do carteiro foi substituída por um aviso que dizia “você tem novas mensagens”. Mas jamais esse aviso substituiu a musicalidade daquela voz e nem as mensagens o encanto da letra impressa no papel, de próprio punho, com a força e o calor da emoção de quem escreve.

Em certo ponto da minha vida o carteiro mudou completamente sua significação. Nos meus primeiros dias neste país, um carteiro cometeu um erro que custou uma perda irreparável. Deixou uma caixa recheada com meus livros no meu vizinho. Depois de semanas de espera constatei o que tinha ocorrido e já não havia como recuperar meu tesouro, que havia sido formado durante anos e anos de amor dedicado à educação, à poesia, à literature e à arte. Companheiros de anos e anos foram parar numa lixeira, pela qual eu passei durante dias sem ouvir os gritos desesperados de Fernando Pessoa, Rubem Alves e Paulo Freire. Quando eu finalmente soube o que havia acontecido aos meus queridos, eles já não estavam lá. Depois disso, meu coração recusava-se a saltar de emoção com a chegada do carteiro. Todos eles me pareciam culpados. Eu não conhceia o rosto daquele ou daquela que havia extraviado minhas caixas, portanto todos os rostos lhe pertenciam. (Sei que a verdadeira culpa foi do vizinho)

Mais algum tempo se passou, mudei de endereço mais de uma vez, e finalmente superei minha mágoa dos carteiros e meu desprezo por aqueles depósitos de lixo verdes que tem no jardim de cada casa neste país.

E eis que esta semana fiz definitivamente as pazes com essa entidade encantada, os mensageiros contemporâneos, que caminham longas distâncias levando em sua bagagem respostas, perguntas, desejos e outras coisas menos poéticas também. As horas que antecedem a passagem do carteiro passaram a ter um sabor especial, passaram a dar às minhas manhãs aquela sensação doce de quem espera algo que deseja muito e sabe que está a caminho. Eis que hoje, ao ouvir a entrada das correspondências, pude reconhecer o som maravilhoso de um livro a dizer “correio!”

Agora tenho nas mãos não apenas um livro, mas a maçaneta de uma porta que ainda não decifrei inteiramente, mas sei que está lá.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Esperando Mr. Postman

Estou já há dias às voltas com o Peter Clough. Suas narrativas têm-me feito refletir sobre muitas coisas que eu desejava ver acontecer, outras que eu sonhava participar e outras tantas que eu sequer podia imaginar que existissem.
Capa do livro: Clique para ler a introducao!Certa vez escrevi uma ficção sobre minha vida. A ficção contava sobre a minha verdade em forma de conto. A escritura daquele conto foi produto de um trabalho interior profundo, inspirado no convite irrestível feito pela Alicia para contar a história de minhas aprendizagens. Naquela época eu nem sabia que Clough existia e eu não considerava que estava escrevendo algo que tinha seus pares em terras distantes. Meu modo intuitivo de encontrar na ficção a forma mais genuina de retratar verdades difíceis de serem verbalizadas, hoje, dá as mãos a um estudo científico e sente-se vigorosamente confiante.
Falta-me pouco para concluir as narrativas do Peter, mas certamente falta-me muito para encerrar o diálogo com ele e suas idéias. As mesmas mãos generosas que me presentearam com este novo interlocutor, preparam-se para me apresentar mais alguém. Estou aguardando ansiosa, sem saber quem entrará pela porta da frente, um dia qualquer desta semana, trazido pelas mãos mágicas do mensageiro postal.

Com o Clough reencontrei a mim mesma, recriando minha fala e revisitei minha querida Alicia e abracei a tarefa árdua e doce de voltar a repensar a minha fala, desta vez em outra língua.

Enquanto vou terminando esse meu primeiro encontro com o Peter, espero a chegada do carteiro, que não faz idéia do tesouro real que traz em sua mochila do Royal Mail.

domingo, 4 de junho de 2006

Os flamboyants

A manhã estava linda: céu azul, ventinho fresco. Infelizmente, muitas obrigações me aguardavam. Coisas que eu tinha de fazer. Aí, lembrei-me do menino-filósofo chamado Nietzsche que dizia que ficar em casa estudando, quando tudo é lindo lá fora, é uma evidência de estupidez. Mandei as obrigações às favas e fui caminhar na lagoa do Taquaral.Bem, não fui mesmo caminhar. Meu desejo não era médico, caminhar para combater o colesterol. Caminhar, para mim, é uma desculpa para ver, para cheirar, para ouvir... Caminho para levar meus sentidos a dar um passeio. Tanta coisa: os patos, os gansos, os eucaliptos, as libélulas, a brisa acarinhando a pele — os pensamentos esquecidos dos deveres. Sem pensar, porque, como disse Caeiro, "pensar é estar doente dos olhos". Aí, quando já me preparava para ir embora, já no carro, vejo um amigo. Paramos. Papeamos. Ele, com uma máquina fotográfica. Andava por lá, fotografando. Não tenho autorização para dizer o nome dele. Vou chamá-lo de Romeu, aquele que amava a Julieta. Me confidenciou: "Vou fazer uma surpresa para a Julieta. Ela adora os flamboyants. E eles estão maravilhosos. Vou fazer um álbum de fotografias de flamboyants para ela... Você não quer vir até a nossa casa para tomar um cafezinho?"Fui. Mas ele me advertiu: "Não diga nada para ela. É surpresa..." Esta história tem sua continuação um pouco abaixo. Recomeço em outro lugar.As crianças da 3ª série do Parthenon, escola linda, me convidaram para uma visita. Elas tinham estado fazendo um trabalho sobre um livrinho que escrevi, O Gambá Que Não Sabia Sorrir. Queriam me mostrar. Foi uma gostosura. É uma felicidade sentir-se amado pelas crianças. Eu me senti feliz. Aí aconteceu uma coisa que não estava no programa. Uma menininha, na hora das perguntas, disse que ela havia lido a minha crônica Se Eu Tiver Apenas Um Ano a Mais de Vida...Espantei-me ao saber que uma menina de nove anos lia minhas crônicas. Lia e gostava. Lia e entendia. Aí ela acrescentou: "Recortei a crônica e trouxe para a professora..." Confirmou-se aquilo de que eu sempre suspeitara: as crianças são mais sábias que os adultos. Porque o fato é que muitos adultos ficaram espantados e não quiseram brincar de fazer de contas que eles tinham apenas um ano a mais para viver. Ficaram com medo. Acharam mórbido.As crianças, inconscientemente, sabem que a vida é coisa muito frágil, feito uma bolha de sabão. Minha filha Raquel tinha apenas dois anos. Eram seis horas da manhã. Eu estava dormindo. Ela saiu da caminha dela e veio me acordar. Veio me acordar porque ela estava lutando com uma idéia que a fazia sofrer. Sacudiu-me, eu acordei, sorri para ela, e ela me disse: "Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?" Eu fiquei pasmo, sem saber o que dizer. Mas aí ela me salvou: "Não chore porque eu vou abraçar você..."As crianças sabem que a vida é marcada por perdas. As pessoas morrem, partem. Partindo, devem sentir saudades — porque a vida é tão boa! Por isso, o que nos resta fazer é abraçar o que amamos enquanto a bolha não estoura.Os adultos não sabem disso porque foram educados. Um dos objetivos da educação é fazer-nos esquecer da morte. Você conhece alguma escola em que se fale sobre a morte com os alunos? É preciso esquecer da morte para levar a sério os deveres. Esquecidos da morte, a bolha de sabão vira esfera de aço. Inconscientes da morte aceitamos como naturais as cargas de repressão, sofrimento e frustração que a realidade social nos impõe. Quem sabe que a vida é bolha de sabão passa a desconfiar dos deveres... E, como disse Walt Whitmann, "quem anda duzentos metros sem vontade, anda seguindo o próprio funeral, vestindo a própria mortalha".O pessoal da poesia está levando a sério a brincadeira. Eu mesmo já fiz vários cortes drásticos em compromissos que assumi. Eram esferas de aço. Transformei-os em bolhas de sabão e os estourei. Pois o pessoal da poesia decidiu que, no programa de um ano de vida apenas, num dos nossos encontros não haveria leitura de poesia: haveria brinquedos e brincadeiras. Cada um trataria de desenterrar os brinquedos que os deveres haviam enterrado.Obedeci. Abri o meu baú de brinquedos. Piões, corrupios, bilboquês, iô-iôs e uma infinidade de outros brinquedos que não têm nome. Seria indigno que eu levasse piões e não soubesse rodá-los. Peguei um pião e uma fieira e fui praticar. Estava rodando o pião no meu jardim quando um cliente chegou. Olhou-me espantado. Ele não imaginava que psicanalistas rodassem piões. Psicanalista é pessoa séria, ser do dever. Pião é coisa de criança, ser do prazer.Acho que meus colegas psicanalistas concordariam com meu paciente. A teoria diz que um cliente nada deve saber da vida do psicanalista. O psicanalista deve ser apenas um espaço vazio, tela onde o paciente projeta suas identificações. Mas a minha vocação é a heresia. Ando na direção contrária. "Você sabe rodar piões?", eu perguntei. Ele não sabia. Acho que ficou com inveja. A sessão de terapia foi sobre isso. E ele me disse que um dos seus maiores problemas era o medo do ridículo. Crianças são ridículas. Adultos não são ridículos. Aí conversamos sobre uma coisa sobre a qual eu nunca havia pensado: que, talvez, uma das funções da terapia seja fazer com que as pessoas não tenham medo das coisas que os "outros" definem como ridículo. Quem não tem medo do ridículo está livre do olhar dos outros.Preparei o encontro de poesia de um jeito diferente. Nada de sopas sofisticadas. Fui procurar macarrão de letrinha, coisa de criança. Não encontrei. Encontrei estrelinhas. Fiz sopa de estrelinhas. E toda festa de criança tem de ter cachorro-quente. Fiz molho de cachorro-quente. E nada de vinho. Criança não gosta de vinho. Gosta é de guaraná.Foi uma alegria, todo mundo brincando: iô-iôs, piões, corrupios, bilboquês, quebra-cabeças, pererecas (aquelas bolas coloridas na ponta de um elástico)... Rimos a mais não poder. Todo mundo ficou leve. Aí tive uma idéia que muito me divertiu: que na sala de visitas das casas houvesse um baú de brinquedos. Quando a conversa fica chata, a gente abre o baú de brinquedos e faz o convite: "Não gostaria de brincar com corrupio?" E a gente começa a brincar com o corrupio e a rir. A visita fica pasma. Não entende. "Quem sabe, ao invés do corrupio, um bilboquê?" E a gente brinca com o bilboquê. Aí a gente estende o brinquedo para a visita e diz: "Por favor, nada de acanhamentos! Experimente. Você vai gostar..." São duas as possibilidades. Primeira: a visita brinca e gosta e dá risadas. Segunda: ela acha que somos ridículos e trata de se despedir para nunca mais voltar...Pois a Julieta — aquela do Romeu — me trouxe uma pipa de presente. Vou empinar a pipa em algum gramado da Unicamp. E aí ela nos contou da surpresa que lhe fizera o Romeu. Fotografias de flamboyants vermelhos — que coisa mais romântica! Árvores em chamas, incendiadas! Cada apaixonado é um flamboyant vermelho! E nos contou das coisas que o Romeu tivera que fazer para que ela não descobrisse o que ele estava preparando.Mas o mais bonito foi o que ele lhe disse, na entrega do presente. Não sei se foi isso mesmo que ele disse. Sei que foi mais ou menos assim: "Sabe, Julieta, aquela história de ter um ano apenas a mais para viver... Pensei que você gostava de flamboyants e que você ficaria feliz com um álbum de flamboyants. E concluí que, se eu tiver um ano apenas a mais para viver, o que quero é fazer as coisas que farão você feliz..."Um ano apenas a mais para viver: aí os sentimentos se tornam puros. As palavras que devem ser ditas, devem ser ditas agora. Os atos que devem ser feitos, devem ser feitos agora. Quem acha que vai viver muito tempo fica deixando tudo para depois. A vida ainda não começou. Vai começar depois da construção da casa, depois da educação dos filhos, depois da segurança financeira, depois da aposentadoria...As flores dos flamboyants, dentro de poucos dias, terão caído. Assim é a vida. É preciso viver enquanto a chama do amor está queimando...

Rubem Alves, in "Correio Popular", de Campinas (SP)

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Para os amigos...

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terça-feira, 30 de maio de 2006

Pensando em Sonhos

Sonhos Prometedores
Tenho mais pena dos que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado à costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita. O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece.

Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'


A Diagonal da Vida
Ao olharmos o caminho que percorremos na vida, ao abarcarmos o seu «erróneo curso labiríntico» (Fausto), não podemos deixar de ver muita felicidade malograda, muita desgraça atraída, e talvez facilmente exageremos nas repreensões a nós mesmos. O curso da vida não é certamente a nossa obra exclusiva, mas o produto de dois factores, a saber, a série dos acontecimentos e a das nossas decisões. Séries que sempre interagem e se modificam reciprocamente. Além disso, há o facto de que, em ambas, o nosso horizonte é sempre bastante limitado, na medida em que não podemos predizer com muita antecipação as nossas decisões e muito menos prever os acontecimentos; na verdade, de ambos conhecemos com justeza apenas os acontecimentos e decisões actuais.Sendo assim, enquanto o nosso alvo está longe, não podemos dirigir-nos directamente para ele, mas só por aproximações e conjecturas, amiúde tendo de bordejar. Tudo o que conseguimos é tomar decisões sempre segundo a medida das circunstâncias presentes, na esperança de fazê-lo bem, para desse modo nos aproximarmos do alvo principal. Na maioria das vezes, portanto, os acontecimentos e as nossas intenções básicas são comparáveis a duas forças que agem em direcções opostas, sendo a diagonal resultante o curso da nossa vida.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'


Sonhos sem Ilusões
Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde.

Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

Nota vocabular: Em Portugal, o verbo saber pode ter o sentido de ter sabor de. Ex.: Este suco sabe a goiaba. (Aqui usado por Pessoa ao dizer que os sons sabem uns aos outros...)

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Missing List

Ontem entrei na brincadeira de fazer a hate list, com aquelas coisas e pessoas que de certo modo fazem parte do nosso contexto pessoal e/ou coletivo, mas que desejaríamos que não estivessem. Hoje resolvi continuar brincando de listinha, mas a lista de hoje é mais leve e um tanto nostálgica. Desta vez proponho listar
as coisas que amamos e de certa forma estão longe, seja no tempo, seja no espaço mas que gostaríamos de trazer para perto.



3 coisinhas que eu sinto falta ou saudade

Família

  • Minha mãe

  • Cecé e meus outros irmãos

  • Meu sogro

Lugares/momentos


  • A varanda de nossa casa no interior

  • Beira-mar no final da tarde

  • Tasquinha em Braga(PT) com minha sogra

Amigos

  • Dona Rita

  • Dri

  • Rê Camara

Televisão


  • Sitio do Picapau Amarelo (versao antiga)

  • Daniel Azulay

  • Jô 11 e meia (o programa atual tinha de estar na lista de ontem)


Acontecimentos sociais


  • Movimento pelas Diretas Já

  • Os domingos vendo o Senna correr (e ganhar)

  • Os desfiles de 7 de setembro de quando eu era criança (bizarro?)


Acontecimentos artísticos


  • Os festivais de MPB

  • Show (da chuva) da Marisa Monte

  • Rossicreuza



Sentimentos


  • Esperança/crença no Lula

  • “Em casa estamos a salvo”

  • “Felizmente o Brasil é um país pacífico, onde não há guerra” (Sentíamos e pensávamos assim)


Comidas


  • Picanha

  • Queijo de coalho assado

  • Natinhas de Portugal



Coisas que quase ninguém gosta mas eu amo



  • Moacir Franco

  • Estudar

  • Oswaldo Montenegro



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Quer brincar tb?

domingo, 28 de maio de 2006

Hate list

Vi a listinha da Denise, que viu a da Adri Amaral, e tambem resolvi fazer a minha:

3 coisas que eu ODEIO:

Cantoras
Kylie Minogue
Beyonce
Jennifer Lopez

Cantores
Robbie Williams
Will Young
Latino

Bandas
Charlie Brown Jr
Sugar Babies
Sepultura

Músicas
Florentina
Morango do Nordeste
Todas dos Mamonas Assassinas

Filmes
Rodas da morte
O retorno do soldado do Ryan
O Senhor dos Anéis

Atrizes
Julia Roberts
Angelina Jolly
Maitê Proença

Atores
Tarcísio Meira
Roger Moore (e todos os James Bond)
Francisco Cuoco

Escritores
JK Rowling
JK Rowling (vale por 2)
Paulo Coelho

Eventos de Massa
Carnaval
Micareta
Pocissão/romaria

Comidas
Carne de porco e derivados
Lulas
Fish and ships

Fenômenos Sociais
Xenofobismo e racismo
Machismo
Violência urbana

Políticos
Hugo Chaves
Robert Mugabe
Mahmoud Ahmadinejad (do Iran)

Coisas que quase todo mundo adora, mas eu detesto
Cerveja
Lugares badalados
Seguir a moda

Troféu mais detestáveis do Brasil
FHC
Cid Moreira
Padre Pinto

sábado, 27 de maio de 2006

O retorno da Branca de Neve

Durante alguns anos acostumei-me a identificar-me com o estereótipo da Branca de Neve, especialmente a versão de Walt Disney, com seu vestido misturando as cores básicas, saia amarela, blusa azul com mangas fofas e gola ampla e alta. Os pequeninos, ao me verem usando a vestimenta, faziam-me pensar que eu de fato era uma personagem saída de algum conto, e vivia aquela magia por alguns instantes. Depois era hora de mostrar minha cara verdadeira, vestir minhas próprias roupas e voltar a ser eu mesma, mas não sem ter de responder inúmeras vezes que não, não era eu que tinha me vestido de Branca de Neve. Os pequenos me perguntavam isso quase me pedindo que negasse, para manter viva a doce magia de ter encontrado a princesa em carne e osso em pleno pátio da escola.

Havia sempre uns pequenos mais matreiros e menos afeitos ao mundo da fantasia e que ao contrário dos amantes da fantasia, queriam que eu assumisse firmemente ter vestido uma roupa de mentirinha e me feito passar pela princesinha de cabelos cor de ébano. Ao contrário dos outros, estes queriam ter certeza de que estavam bem lúcidos e que não haviam embarcado nessa coisa infantile de crer na fantasia, na magia dos contos de fadas.

Não sei quem havia embarcado mais profundamente na brincadeira de imaginar, se aqueles que sabendo que se tratava de uma roupa falsa, queriam ter o direito ao sonho ou se os que haviam sonhado de forma tão intensa a ponto de precisar de uma afirmação categorica de que se tratava de uma brincadeira de faz-de-conta. Talvez quem embarcasse com mais profundidade fosse eu mesma, de modo a ter sempre aquela roupa guardada e sempre arranjar um jeito de encaixar a Branca de Neve nas comemorações da semana da criança. Aquela roupa tinha sua magia toda própria, pois havia sido confeccionada a quarto mãos, por mim e minha mãe. Durante anos guardei aquela fantasia, e algumas vezes contentava-me em emprestá-la a alguma amiga que precisava da personagem em algum evento. Até que em uma de suas andanças a bela roupa foi e não mais voltou.

Esta semana reencontrei minha querida personagem, desta vez em tamanho bem menor e, dentro da roupa, uma menina linda, filha de uma amiga. A pequenina Branca de Neve tem o rostinho quase idêntico à sua mãe, mas foi a mim mesma que vi pedalando sua bicicletinha, vestida de princesa. Não foi a primeira vez que a filha de uma amiga fez-me recordar meus tempos de fantasia multicolorida. A primeira vez aconteceu anos mais cedo, no primeiro aniversário de outra pequenininha.

Diante da imagem da Branca de Neve ciclista, dei-me conta de que já não caibo na personagem, já não conseguiria fazer os pequenos embercarem no encanto de encontrar a princesa em carne e osso, mesmo assim, eu queria ter comigo aquele vestido, relíquia de um tempo fora do tempo, que talvez só exista dentro de mim.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Relembrando os avós


O texto de hoje foi escrito por uma grande amiga, que me permitiu transcreve-lo aqui. Obrigada, Claudinha!

As crônicas sobre avós me fez relembrar meus avós maternos e as inúmeras férias que passamos em sua casa, um sítio/fazenda no interior do Ceará. Era bom demais. Taí uma coisinha que me enche de saudade e que me faria voltar (sem pestenejar) no tempo, só pra reviver aqueles momentos: acordar cedo, tomar café com leite fresquinho, queijo de coalho da casa, tapioca com muuuiiiita manteiga, depois andar de cavalo, tomar banho de rio.

Gente do Céu! Os banhos de rio... eram bons demais. A gente precisava andar um pouco pra chegar até o melhor local pra banho. E o caminho era por dentro dos canaviais. Quantas vezes a gente num se arranhava todo? Mas no outro dia, lá estava a gente de novo fazendo a mesma trilha. E antes de entrar na trilha tinha que rezar:

"São Bento, água benta, Jesus Cristo no altar, saiam as cobras do caminho que eu quero passar"

Aí, pronto, podia ir sem medo que nenhuma cobra cruzaria nosso caminho.

E o almoço? Aquelas panelas de galinha caipira à cabidela!!! Nunca, mas nunca mesmo comi uma gallinha como as que a vovó fazia. E olhe que procuro, viu? Sempre que me falam de uma boa galinha caipira a cabidela vou lá conferir. Mas é impossível não lembrar e comparar com a da vovó. Tinha tb um bife que ela fazia com batatinha inglesa que era uma delícia. Só de lembrar dá água na boca. E sempre comíamos com banana. Ainda hoje tenho esse hábito. Ou banana ou rapadura.

Depois do almoço era a hora mais crítica, pois meus avós deitavam e a gente não podia dar um pio, senão.... aí a gente acabava indo pro estábulo que ficava do lado da casa. Mas mesmo assim a gente conversava sussurrando, pois o vovô tinha um sono muito leve e uma tal de dor de cabeça se fosse acordado.... Por isso, muitas vezes, para ser poupados de grandes "carões", a melhor opção era acompanhá-los na sesta. Aí a vovó enchia o alpendre de redes e a gente tirava aquele cochilo, com um ventinho tão forte que chegava a balançar a rede.

Normamelmente acordávamos com o som (barulhão, por sinal) da forrageira moendo cana pro gado. Aí, era hora do café com leite da tarde. Tinha uns bolachões que o vovô comprava na cidade que eram uma delícia. Nem mesmo em Fortaleza eu via delas pra vender. Depois da "merenda" era hora de ir andar estrada afora. Sempre com uma passadinha pela casa dos moradores que nos recebiam cheios de carinho, agrados... era um chazinho, um bombom azedinho ou piper, enqto eles repetiam uma ruma de história sobre um de nós qdo eramos "crianças", ou, aqueles mais antigos, sobre minha mãe ou meu tio, qdo jovens. Como vc colocou na sua crônica, eram histórias repetidas, mas sempre que ouviamos parecia ser a primeira vez. Aliás, muitas vezes a gente é que pedia: "conta aquela....."

Seis horas da tarde, todo mundo olhando pro céu, pra ver quem acharia a primeira estrela no céu. Quem achava tinha o direito de fazer a seguinte oração:

"Boa noite bela estrela, pela primeira que avistei. Fazei três cruzes no coração do fulano. Se eu ouvir porta bater, ele gosta de mim. Está pensando em mim se eu ouvir um assobio. Se cão latir, ele não gosta de mim".

Não raro, ouviamos um cão latir. Mas tb....

Pronto era hora de ir pra casa, pois o jantar já devia estar sendo servido. Isso mesmo. Cedinho.

Aí começava a sessão TV. A casa dos meus avós era a única que tinha TV pelas redondezas. Então era só começar a novela das seis pra sala começar a lotar. Vinha gente de todo canto assistir às novelas. Nós e nossos avós tinhamos lugar reservado. Os outros sentavam aonde dava. E era assim: na hora da novela, não podia ter zoada, pois o vovô, sempre enjoadinho com barulho, não podia perder uma cena... engraçado que nos intervalos todos saiam pro alpendre, pra conversar, pra fumar ou mesmo pra chupar um dindin, que a moça que morava com a vovó fazia e vendia pra ganhar uns trocados.

Na hora do jornal, não ficava quase ninguém. A maioria já ia embora. Nem esperava a novela das oito. A vovó, que tb não assistia o jornal, levava pro alpendre uma ruma de saca de feijão pra ser debulhado. Ali, formava uma roda ao redor dela e a gente mandava brasa debulhando feijão. Menina, era animado demais.

Bom, depois da novela das oito: rede. E íamos dormir sossegados pra no dia seguinte repetir tudo de novo, durante os trinta dias de férias, com poucas variações na rotina de um dia pro outro.

E, qdo acabavam as férias, que meus pais iam nos buscar, sempre era aquele chororô na despedida. Minha avó sempre se despediu da gente com tanta tristeza que parecia que nunca mais a veríamos....

Ah, tem uma parte especial que vou deixar proutro dia pra num encompridar muito, mas é o acesso até a fazenda, que naquele tempo era um verdadeiro Rally que fazíamos, por dentro de lamas, rios.... é muita história...

Como lhe disse, fiquei muito inspirada.

(Texto de Ana Cláudia)

quinta-feira, 25 de maio de 2006

A voz do rádio

radio antigoHá coisas realmente engraçadas em nossas representações da vida cotidiana. Uma amiga minha me falou hoje sobre a voz que vem de dentro do rádio. Segundo ela, aquela voz empostada dos radialistas sempre foi uma espécie de ficção. As pessoas não falam em sua vida cotidiana com o mesmo tom dos radialistas. Pensando nisso, tentei eu mesma refazer meu modo de simbolizar isto e achei-me nos dias atuais em que o rádio ganhou um espaço nunca antes ocupado na minha vida.
Ouço radionovelas quase todos os dias. Isso mesmo, radionovelas. Se você pensa que isso é coisa do tempo da vovó, fique sabendo que é verdade, mas é também coisa dos dias atuais, se você ouve a BBC 4. Ouço não apenas as radionovelas, mas os programas de auditório, e auditório mesmo, com convidados ao vivo e só não a cores por razões óbvias. Ouço programas de humor daqueles em que um sujeito fica desenrolando um rosário de piadas, também é no rádio que temos os noticiários mais imparciais, chegando a superar em qualidade os jornais impressos. O que menos ouço no radio são os programas musicais. Estes ouço pela Internet, sempre rádios brasileiras ou portuguesas. De certa forma os meios de comunicação estão todos trocando os papéis em nossa casa. Vemos TV e “telefonamos” no computador, leio através do rádio, já que há também um excelente programa literário em que semanalmente são lidos livros -- coisa que sempre amei foi leitura em voz alta, fosse lendo, fosse ouvindo. Gosto que aprendi com minha mãe. Há também outro programa em que há discussões sobre algum livro, algumas vezes com a presença do próprio autor.

Muitos dos nossos antigos hábitos mudaram, hoje assistimos telenovelas, coisa que eu sempre detestei. Acompanhamos juntos a Sinhá Moça com fidelidade invejável. Já a TV propriamente dita, só é ligada pela manhã, quando meu filhote fica cantando e dançando diante da programação infantil. Algumas raras vezes vejo com ele algum programa da tarde, outras vezes é mesmo o rádio que me faz dar risadas enquanto cuido dos afazeres domésticos. Hoje em dia entendo por que as trabalhadoras domésticas são o público mais fiel do rádio. Nada pode encher melhor o espaço vazio de uma cozinha lotada de trabalho a fazer do que a doce voz dos radialistas, sejam os que empostam a voz, sejam os que dão um tom cômico às mesmas. Sem falar nos rádio-atores, que dão vida a cenas que conseguimos visualizar com uma assustadora nitidez, sem tirar os olhos da louça ou da comida sendo preparada.

E tudo isso porque a Ana disse que achava que a voz do rádio era ficcional! Ela mesma deu-se conta de sua visão disto, ao ouvir no rádio a voz real do marido real de uma amiga real. Pleonasmos à parte, o que eu quis dizer foi que o fato da voz do rádio ter um rosto identificável, que normalmente pode ser visto ao lado da nossa amiga, de quem ele é o marido, trouxe o paradoxo da voz ficcional. Seria com aquela voz empostada que nosso amigo diria à nossa amiga: “querida, cheguei” ? E Ana rendeu-se à sua imaginação, viajando por diversas cenas da vida diária, em que marido e mulher conversam normalmente, tendo o marido sempre aquela ficcional voz de rádio. Nossa outra amiga ainda não nos disse se a voz do rádio é uma ficção ou a verdadeira voz de seu amado, mas enquanto isso, deixo-me ir na brincadeira de imaginar, que a Ana começou.

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Para ver a lista de programas da rádio BBC 4: clique aqui

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Ainda sobre as avós

Ontem falei de minha mãe, que sendo avó faz as vezes de mãe, e fazendo as vezes de uma mãe ausente, voluntariamente ausente, diga-se, não recebe o reconheciomento, nem o amor merecido, da parte do neto quase filho.

Hoje, vendo meu filho brincar, fazendo mil peripécias pela casa, especialmente fazendo de conta que telefona, tento lhe ensinar a dizer “alô, vovó”. Estranho tentar incultir nessa cabecinha a noção deliciosa desta palavra, tão repleta de significados, tão adocicada por lembranças e (por que não ?) por esquecimentos. Estranho porque esse pequenino de olhos sedentos nunca viu suas vovós. Uma voz do outro lado da linha mandando beijinhos, ou dizendo coisas carinhosas está muito longe de compor a representação desta entidade saborosa, a vovó. Como transmitir por uma imagem numa webcam a fofura do colinho da vovó?

Se, precisamente no dia das mães, vi minha mãe expresser tristeza, e nesse mesmo dia ver sua tristeza ampliada por mais uma das atitudes desconcertantes de seu neto-filho, foi também nesse dia que senti a dor aguda de ser mãe tão longe dela.

Tantos dias depois daquele domingo, que deveria ser festivo, no qual fizemos de tudo para comemorar todos juntinhos, apesar da distância, sinto uma melancolia que se arrasta preguiçosa, estica-se toda, faz a cama e definitivamente decide meter-se debaixo das minhas cobertas e abraçar-me com seus múltiplos e longos tentáculos.
Assim, fico aqui, quietinha em meu quarto, olhando meu filhote brincar feliz, indiferente aos meus ais silenciosos, à espera do dia em que asas muilticores nos levarão a um continente e ao outro, para meu filho descobrir o encanto da palavra vovó.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Avós e quartos

E por falar em avó...

Minha mãe é uma avó zelosa, que muitas vezes faz as vezes de mãe dos netos. Não somente de forma simbólica, mas no sentido literal, exercitando a difícil tarefa de substituir uma mãe ausente.

Hoje fui conversar com avó da Adri, lá no quartinho dos fundos, pulando as pedrinhas e todos os sinais do tempo. Sentamos juntas e com ela encontrei minha avó, mãe da minha mãe. Aquela que foi uma menina sofrida, criada sem mãe, por uma tia sisuda e distante. Aquela que não sabia o que fazer quando um filho pequeno a chamava no meio da noite, a que não abraçava, não beijava. E estranhamente fui encontrá-la ao lado de uma avó terna e carinhosa. A avó terna abria um album de fotos antigas e dizia: veja, esta é você, esta outra é sua primeira filha, estes são seus outros filhos…. E minha avó apertava os olhos tentando se reconhecer nas fotos que a avó carinhosa apontava, mas era a foto da primeira filha que a intrigava.

Ficamos ali, as três olhando fotos amareladas em meio a ramos de plantinhas parasitas que invadiram o quarto todo. Quando saí de lá, era minha mãe que segurava minha mão. Ou talvez fosse eu que segurasse a dela.

Sentei-me aqui, exatamente onde estou, em meu quarto, tão longe dos olhos de minha mãe. Seu olhar tristonho que a tecnologia me permitiu ver no dia das mães ainda está aqui. Foi uma avó desapontada que eu vi. Havia tentado suprir a falta da mãe e o neto retribuía o gesto com hostilidade e cobranças.

Minha mãe tem cada vez mais o estereótipo clássico da vovó e vendo de longe dói-me tanto não poder tocar-lhe a brancura dos cabelos. Eu queria renovar o antigo album, colar ali fotos de momentos felizes. Queria revelar uma foto em que o olhar de minha mãe refletisse desejo, sonho, vida.

Fico agora, neste quarto distante, que não guarda resquício algum de memória, não segreda fatos vividos no passado, nem entende nada de avós que trazem o passado de volta para alimentar as raízes dos netos. Estou aqui.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Asas e portas

Este fim-de-semana nossa casa viajou para Portugal. Andamos por Lisboa, por Braga, pelo Alentejo e Algarve em busca de encontrar sua sombra. Antes de viajar para Portugal ela sempre dá uma passada pelo Brasil, e quando ela faz isso, também seguimos seus passos e nos banhamos ao sol do nordeste, visitamos o irmão querido em Brasília e estudamos a geografia do Paraná.

Mas depois destas viagens, acabamos voltando para cá, enxergando em Londres a perspectiva mais viável para a próxima parada. Nossa casa já visitou o Canadá, mas lá não chegamos a segui-la, faltava-nos um abraço amigo a nos acolher. Abraço que nos aguarda no Kentucky.

Volta e meia nossa casa levanta acampamento e se embrenha em novas possibilidades, levando-nos de carona, na boléia de suas hipóteses.

Nesta semana que começa, continuamos repletos dos cheiros de Portugal, de suas cores, sua [nossa] gente. Enquanto isso, pisamos o solo de sua majestade, à espera de algo que nos ajude a construir uma casa com asas em lugar de portas.

sábado, 20 de maio de 2006

mal explicado




Que fique muito mal explicado.
Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é soldado.

(Mário Quintana)

domingo, 14 de maio de 2006

A Lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você

Oswaldo Montenegro

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Feliz ano novo

Houve um tempo em que o inverno era para mim um enorme obstáculo, que levava penosos meses a tulipas vermelhasultrapassar. Não conseguia entender quando ouvia ingleses dizerem que não suportariam viver numa terra em que fosse verão o ano todo. Logo eu que tinha vindo da terra da luz, banhada de sol praticamente todos os dias do ano.

Mas desde que meu filho nasceu, a chegada da primavera passou a dar todo o sentido ao inverno pesado. Os primeiros dias de sol acenam com a promessa de vida renovada. Os primeiros dias em que os casacos podem ficar pendurados em casa dizem-nos que uma nova etapa se inicia e o corpo parece implorar por roupas leves, coloridas, alegres. Feliz ano novo! A primavera deveria marcar o começo do ano. Na verdade ela é, ainda que o calendário gregoriano discorde do calendário vital.

A primavera por aqui vem sempre com certa timidez. Alguns dias deixa que o inverno pegue carona em sua bondade e faz frio, sopra gelado, chove morosamente. Mas aos poucos ela reconhece-se dona do tempo, e reinvindica seu direito de florir sossegada, banhada de sol e luz. Isso acontece exatamente quando o verão já lhe bate de leve à porta dizendo: estou chegando!

E que ele venha, que traga ainda mais luz, mais calor, sorvetes, passeios no parque, crianças criançando sobre a grama verdinha (e não úmida), e uma sede de viver cada dia intensamente, aproveitando cada mínimo raio de sol, como quem sabe que o outono está à espreita.

Como diz a canção here comes the sun…

Tulips pictured by myself on 26/04/06

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Hoje o Chico fala por mim

Alô, liberdade

Desculpa eu vir

Assim sem avisar

Mas já era tarde

E os galos tão

Cansados de cantar

Bom dia, alegria

A minha companhia

Vai cantar

Sutil melodia

Pra te acordar

Quem vai querer tocar trombeta

Pem pererém pererém

Pempem

Quem vai querer tocar matraca

Tracatracatraca

Tracatraca

Quem vai de flauta e clarineta

Fi fiririFiriri fifi

Quem é que vai de prato e faca

Taca cheque taca

Chequetaca checá

Quem vai querer sair de banda

Pan pararanPararan panpan

Hoje a banda sairá

Alô, liberdade

Levanta, lava o rosto

Fica em pé

Como é, liberdade!

Ah, dona liberdade...

Vou ter que requentar

O teu café

Bom dia, alegria

A minha companhia

Vai cantar

Em doce harmonia

Pra te alegrar

Quem vem com a boca no trombone

Pom pororom pororom pompom

Quem vem com a bossa no pandeiro

Chá carachá carachá chachá

E quem só toca telefone

Trim tiririm Tiririm trintrim

E quem só canta no chuveiro

Trá tralalá tralalá lalá

Quem vai querer sair na banda

Pan pararan

Pararan panpan

Hoje a banda sairá

Ah, sairá, sairá, sairá

Laiaralaialaialaiá

Hoje a banda sairá

Olá, liberdade!

Alô, liberdade
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1981
Para o filme Os Saltimbancos trapalhões

sábado, 6 de maio de 2006

My name is Freedom

wiriting in English is like enter in someone else's house and try to tidy up things that don't belong to you. However, today I received a post and Clough has showed me that there is one language that is more like a house of everyone who can pass the door. The result was a small piece of something I cannot lable yet, which I would like to share:


My name is Freedom. You may think that it is a nickname, but it is not. Freedom is my real name. But when I was born, for a reason that is unknown by me until now, my parents decided to give me a nickname and tell everyone that it was my real name.
For a long time I forgot my name. I was too used to be called by the nickname Rose that I almost lost Freedom.
If you ask me why or how I found my real name I cannot give you a rational nor logical answer. I only can say that it came to me saying “here I am”. The name told me those words as I had called it back. That “here I am” was a response to a request which I cannot remember me doing.
Regardless of all the bizarreness of the situation I am trying to describe here and now, it was the clear beginning of my determined journey to find myself. Not a mere “myself” but the deep meaningful sense of being who I am wherever I go, stay or leave.
Being Freedom after years acting and thinking like Rose made up a third person, which is an intersection between the two women without being one or other. The intersectional person is a kind of amorphous living being. Since I met Freedom again, I am slowly undressing Rose’s clothes. She is still here, but just packing her things while Freedom walks all over the place, deciding where to put her books, her music, her poetry, her art and where herself will lye down at night to talk to the stars.



Digg!

sexta-feira, 28 de abril de 2006

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Dias claros

Os dias claros finalmente chegaram.Passear pelo parque, sentir o sol bater sobre nossas cabecas da-nos um prazer incomparavel.
Tenho jogado algumas moedinhas na fonte, a espera que alguma encontre seu caminho e traga meus desejos ate mim. Ontem ouvi o tilintar de uma delas. Estou agora sentada a beira da fonte, a espera de ver algum brilho diferente em meio as aguas.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Quem é ela?

Encontrei-a um dia desses por acaso. Mulher pacata, que vive para seu lar. Costura, cozinha, limpa, lava e algumas vezes passa. Não tem uma vasta biblioteca, mas uns poucos livros, os quais já leu e já não tem muito apetite para voltar a ler. Dizem que não usa agenda para marcar seus compromissos, porque não precisa. Em seu lugar tem um calendário de parede, que utiliza da mesma forma que o relógio: apenas para situar-se no tempo. Aliás, ela tem especial talento para a desorientação e não raras vezes não sabe em que dia do mês se encontra, ou ainda o dia da semana. Há bem pouco tempo voltou a diferenciar os dias comuns dos finais de semana, mas a passagem só lhe vem aos sentidos à sexta-feira à noite. Fala pouco, não tem um repertório muito rico e volta e meia repete-se, conta e reconta histórias velhas, cita sempre os mesmos autores de anos seguidos, e todas as novidades que sabe chegam pelo radio, ou pela TV, ou pela boca de alguém que visita o mundo fora de casa. Não costuma fazer muitos planos, por ter tantas dúvidas sobre tudo que fica inerte. Fico aqui pensando em quem sera esta mulher? Às vezes tenho a nítida impressão de já tê-la visto antes. Às vezes ela parece com alguém que conheço, mas não me lembro quem. Talvez seja personagem de algum livro que li, e minha mente faz trapaça e confunde-me. Não posso afirmar que eu a tenha encontrado antes. Não posso afirmar que alguma vez tenha visto seu rosto, antes de agora. Mas de tão estranha ela parece-me familiar. Se ela ao menos falasse um pouco mais, se dissesse coisas que fizessem algum sentido. Mas em lugar disso ela fica calada ou formulando frases repletas de não-seis e não-possos. Chama-se Maria, foi o que descobri há pouco. Entretanto ela própria parece não saber disto ao certo, pois sempre que pronunciam seu nome ela reage como se falassem de outra pessoa, e só depois de um certo tempo, ela parece lembrar-se que é dela que falam. Talvez seja um nome falso, talvez um pseudônimo. Quem sabe ela esconde uma identidade secreta, por algum motivo misterioso? Isso seria estimulante. Pensando bem, duvido que seja isso. Seja como for, quero descobrir quem é esta mulher que vive tão perto de mim, sendo uma completa estranha.

domingo, 23 de abril de 2006

Para onde ela foi?

Procuro por ela e não vejo seu sinal. Parece que ela sequer existiu algum dia. Lembro-me dela pisando firme, trilhando seu caminho de cabeça erguida, certa de seu valor e seu potencial, embora a dúvida sempre tenha lhe feito companhia. Ela andava de mãos dadas com amigos caros, com coolaboradores bondosos e pessoas com quem compartilhava amor. Guardava mistérios indecifráveis, nascidos da poesia pessoana e do seu jeito todo particular de ler e interpreter o mundo à sua volta. Muitos se sentiam inspirados por sua determinação, outros desafiados por seus enigmas, outros protegidos por sua coragem e força, e uns poucos, ofendidos por sua obstinação e teimosia. Pensando bem, ela não deve ter existido nunca, em lugar algum, fora da minha imaginação fértil. Alguém que guardava dentro de si uma escritora latente, uma artista cujos quadros surgiriam e viveriam de sombras, uma amiga fiel, uma sonhadora convicta, não poderia desaparecer como fumaça. Ela iria publicar seus livros, tocaria muitos corações com suas palavras, faria nascer um mundo onde seus semelhantes mais remotos poderiam habitar e escapar da solidão amarga dos incompreendidos, saltando por uma janela que traria a visão do céu de Ícaro sem o risco da queda fatal. Onde ela terá guardado seus propósitos, seus projetos de beleza? Teria ela delegado a alguém, as tarefas que tanto desejava fazer? Teria desaparecido sem cumprir sua missão? Diante de tantas indagações sem resposta sou forçada a reconhecer que ela só pode ter sido um sonho, do qual acordei sem me dar conta de que estava dormindo. Achego-me às janelas que ela tanto amava e percebo que todas trazem cortinas cerradas, como véus protetores de castidade. Quase posso vê-la ali, ao pé da janela da sala, tentando ver através da trama do tecido, com as mãos inertes, impedidas de decerrar o véu. Sei que ela esteve ali, que pôs as mãos nas cortinas, sem conseguir ver o dia claro que se mostrava do outro lado do pano. E ela que havia nascido para a luz, para a imensidão dos céus, para os vôos altos, ao achar-se privada da liberdade de viver sua essência, deixou-se dissolver, sentada numa cadeira fria, numa sala vazia, coberta pela penumbra ao pleno meio-dia, no meio da primavera. Encontrei a cadeira vazia e um perfume seco de lágrimas enchendo a sala. Nunca tinha sentido o cheiro de lágrima, mas o reconheci imediatamente, bastou-me sentar na cadeira e tocar o tecido que veste a janela. Fecho os olhos e ainda agora quase posso vê-la, trazia um livro numa das mãos, enquanto a outra fazia poesia sobre um qualquer papel e seus olhos mergulhavam na imensidão do oceano que ela planejava cruzar um dia. Vejo-a ora rodeada de pequeninos, ora rodeada de graúdos, ora diluída na multidão. Vejo-a tão nitidamente real e palpável que custa-me admitir que tenha sido uma ilusão. Volto ao dia em que ela, ainda menina tornando-se mulher, ficou apaixonada pela luz matinal que invadia o quarto de uma amiga mais afortunada, que tinha uma janela imensa, vestida apenas por um delicado véu transparente, cujo amarelo deixava-se invadir pela luminosidade, parecendo que a janela estava nua. Durante muito tempo, ela sonhou com o dia em que teria sua própria janela generosa. Abro os olhos e as janelas de hoje são tantas e tão generosas quanto aquela, mas ela não colheu essa generosidade de luz, graças a possíveis olhos intrusos que poderiam aproveitar a carona e entrar junto com o sol, capturar sua beleza e roubar seu coração. Foi nesse momento que ela desejou ardentemente transubstanciar-se em Rapunzel, protegida em sua torre, livre dos olhos ladrões de coração, à solta no mundo lá embaixo. No alto da torre poderia banhar-se de luz, mas não poderia alçar seu vôo vital rumo à amplidão e por isso desceu da torre antes mesmo de subí-la. Preferiu deixar-se dissolver, evaporar, sumir. Foi brincar de inexistir. Apesar disso, em mim permanence essa sensação de lhe ter tocado as mãos, beijado as faces. Sensação estranha diante de uma enorme ausência que não se contrapõe a uma presence, já que se trata de alguém que eu mesma criei, para sentar-me com ela, com as lembranças que compus. Ouço suas queixas tantas. Enfado-me de suas críticas, auto-críticas e reclamações. Deixo-me invadir por seu espírito sempre insatisfeito e seu hábito de falar minunciosamente de tudo, dando a cada ínfimo detalhe a relevância de um grande evento. Encanto-me com seu jeito exagerado de amar e desamar. Extremada no amor, como no ódio, no unir-se de forma visceral como no separar-se de forma definitiva. No crer, como no duvidar. Por ser extremada assim foi que me deixou apenas esta cadeira, esse cheiro seco de lágrima e as janelas cerradas. Seu hábito de optar pelos extremos levou-a a escolher a negação total e irrestrita, tão ampla que nada escapou à sua desaparição e desexistência, ou desistência do existir. Sobrei eu, vazia dos sonhos que aprendi com ela, vazia da mínima chance de realizá-los. Presa a este vazio de quem se olha no espelho à procura da própria cara e dá de cara com um vidro transparente sobre uma parede branca. Os olhos que haviam se preparado para visualizar o rosto não sabem o que fazer diante do branco inerte sem face. É assim o vazio que conheço desde que me sentei nesta sala escurecida por decreto. Assim, sem ela, nem me apetece abrir as cortinas. O bege do pano basta-me. Enxergo através de uma transparência que guardo em meu olhar, através da qual vejo a imagem daquela que não tendo existido dá-me a impressão falsa de que eu existo. Aturdida por pensamentos paradoxais, abandono a cadeira e vou à rua ao encontro da gente que povoa este mundo. Quem sabe encontro alguém que me dê notícias daquela que desapareceu como fumaça, deixando atrás de si um rastro de inexistência. Então vejo os rostos. Todos sem forma definida, fisionomias que não evocam lembrança qualquer que seja, cores e formas que não me lembram nada. Pergunto a uma jovem sem rosto se viu a minha desaparecida. Numa língua estranha ela me conta que viu uma estranha passar por esta rua, como se andasse perdida ou esquecida. Mas não se tratava da mesma pessoa, concluí. A perdida e esquecida chamava-se Maria e do pouco que podia ouvir de sua voz, não falava de beleza, nem mesmo de coisas racionais. Suas frases pareciam colchas de retalho que haviam sido montadas com pedaços unidos ao acaso, sem estreita relação entre cores e texturas. Nunca a ouviram falar de poesia e nem usava metáforas. Em nada se parecia com aquela que evaporara, que inventara o jogo da inexistência. Era outra pessoa.


Digg!

quinta-feira, 6 de abril de 2006

35 veroes e tres primaveras


Antigamente eu ouvia as pessoas contarem os anos de vida em numeros de primaveras. finalmente essa contagem tem algum sentido pra mim. Iria dizer que hoje completo 38 primaveras, mas imediatamente tomei consciencia de que so muito recentemente passei a contabilizar a vida pela primavera.

Finalmente a primavera se estabeleceu a minha volta. Tenho as janelas abertas, todas elas e um sol lindo e morninho brilha la fora. Nao chove, nal faz frio, o ceu parece que nunca sequer conheceu o conzento. Hoje o ceu esta azul, limpido e claro, sem nem um sequer floco de nuvem (as nuvens tambem vem em flocos?).

Durante 35 veroes, eu tinha um nome, uma identidade, uma vida real povoada de sonhos de voos razantes e ousados. Ha tres primaveras atendo por outro nome, que apesar de me pertencer e fazer parte da minha enorme lista de nomes, sendo inclusive o primeiro de todos, foi exatamente aquele que jamais aceitei bem. Nunca me senti nomeada por aquele nome, nunca ele pareceu me pertencer, principalmente por pertencer a tantas que nao poderia pertencer a nenhuma delas. Desde que passei a renovar a idade junto com a chegada da primavera, virei a Maria, para os amigos e missers vinra, para os estranhos. Junto com o novo nome velho, e novo nome novo, veio um tambem novo sentimento a respeito de mim mesma. Sou a mesma que sempre quis voar, mas hoje contemplo horizontes diferentes e o ponto de onde vislumbro a imensidao, muda todas as rotas de voo que eu havia imaginado. Encontro-me no ponto de partida, sem conhecer ao certo o de chegada. Segura estou somente dos meus companheiros de viagem, aqueles que desejo profundamente que voem comigo o mais longo tempo possivel, um tempo infinito.

Estou feliz nessa terceira primavera!


*Originalmente publicado em outro blog. (Depois voltocpara colocar os devidos acentos)

35 verões e 3 primaveras

Antigamente eu ouvia as pessoas contarem os anos de vida em números de primaveras. finalmente essa contagem tem algum sentido pra mim. Iria dizer que hoje completo 38 primaveras, mas imediatamente tomei consciência de que só muito recentemente passei a contabilizar a vida pela primavera. Finalmente a primavera se estabeleceu à minha volta. Tenho as janelas abertas, todas elas, e um sol lindo e morninho brilha lá fora. Não chove, não faz frio, o céu parece que nunca sequer conheceu o cinzento. Hoje o céu está azul, límpido e claro, sem nem um único floco de nuvem (as nuvens também vêm em flocos?). Durante 35 verões, eu tinha um nome, uma identidade, uma vida real povoada de sonhos de vôos razantes e ousados. Há três primaveras atendo por outro nome, que apesar de me pertencer e fazer parte da minha enorme lista de nomes, sendo inclusive o primeiro de todos, foi exatamente aquele que jamais aceitei bem. Nunca me senti nomeada por aquele nome, nunca ele pareceu me pertencer, principalmente por pertencer a tantas que não poderia pertencer a nenhuma delas. Desde que passei a renovar a idade junto com a chegada da primavera, virei a Maria, para os amigos e Mrs vinra, para os estranhos. Junto com o novo nome velho e o novo nome novo, veio um também novo sentimento a respeito de mim mesma. Sou a mesma que sempre quis voar, mas hoje contemplo horizontes diferentes e o ponto de onde vislumbro a imensidão, muda todas as rotas de vôo que eu havia imaginado. Encontro-me no ponto de partida, sem conhecer ao certo o de chegada. Segura estou somente dos meus companheiros de viagem, aqueles que desejo profundamente que voem comigo o mais longo tempo possível, um tempo infinito. Estou feliz nessa terceira primavera!

sábado, 18 de março de 2006

London, London



Em Londres passado e presente convivem,

de certo modo harmoniosamente.

Eu e meu menino, parados no Hide Park contemplamos o verde,

sofremos de frio agarradinhos, enquanto esperavamos nosso heroi,

que tinha ido bem mais longe, poupando-nos de alguns passos extras.

Meu pequenino deslumbrava-se com cada plane (que ele chama de pa), com o mesmo espanto e encanto causado pelo trotar dos cavalos.

Nem mesmo o sol frio da Primavera veio nos cobrir.

Tarefa cumprida, enlacamo-nos os tres no trem que nos trouxe de volta.

sábado, 11 de março de 2006

Confissões de aspirador

Aspirar, desejar, sonhar.
Aspirar, limpar.
Aspirador nas mãos, aspirações no vão.
todos bons e sãos, vão e vou.
Vou-me.

Aspiro a casa, filosofando sobre aspirações.
Vida doméstica (com acento, adjetivando minha vida de hoje)
Vida domestica (sem acento mesmo, o verbo conjugado na vida cotidiana)

Aspiro como quem engole as tristezas,
tira do caminho toda pedrinha mínima e invisível.
Aspiro como quem sabe que esse barulho de motor
não conduz a nenhuma parte,
não voa, nem faz voar.

Zum-zum-zum zumbe o vácuo,
enquanto minhas aspirações plainam
altaneiramente num céu azul turqueza,
capturado e guardado parasempre lá longe.

Chiiiiiuuuu silêncio!
Aspirador cala-se,
casa limpa,
alívio, conforto.

Dever cumprido, casa nova.
Alma nova,
silencio
no vácuo de mim.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Confissoes de aspirador


Aspirar, desejar, sonhar.
Aspirar, limpar.

Aspirador nas maos, aspiracoes no vao.
todos bons e saos, vao e vou.
vou-me.

Aspiro a casa, filosofando sobre aspiracoes.
vida domestica (com acento, adjetivando minha vida de hoje)
Vida domestica (sem acento mesmo, o verbo conjugado na vida cotidiana)

Aspiro como quem engole as tristezas, tira do caminho toda pedrinha minima e invisivel.
Aspiro como quem sabe que esse barulho de motor nao conduz a nenhuma parte, nao voa, nem faz voar.

Zum-zum-zum zumbe o vacuo,
enquanto minhas aspiracoes plainam altaneiramente num ceu azul turqueza, capturado e guardado parasempre la longe.

Chiiiiiuuuu silencio!
Aspirador cala-se,
casa limpa,
alivio,
conforto.
Dever cumprido,
casa nova.
Alma nova,
no vacuo de mim.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Domingo e segunda

Ontem o domingo foi festivo. Jantar em casa de amigos, crianças correndo pela casa....brinquedos espalhados por todos os recantos....um bom domingo à noite.Mas a segunda-feira nem sempre consegue ser tao amigável e nem sempre une música e inspiraçao, daquelas que você falou.Piso uma terra totalmente estranha, onde nao sou quem pensava ser,nao digo o que costumava dizer,nao consigo agir como agia.Essa terra obscura da mente do outro é um terreno inatingível, por vezes.Claro que há casos de telepatia,ou quase isso...há coraçoes que pulsam juntos, mesmo a milhas e milhas de distancia.Mas há distancias invisíveis, num espaço fisicamente inexistente.Essa manha acordou cinza, meu coraçao gelado.Embora, olhando pela janela, veja que há um sol lindo brilhando lá fora e um céu tao limpo que nem parece essa época do ano.Mas os dias cinzas nao olham pela janela,nem sabem que elas existem.Meu leaozinho dorme tranquilo no quarto ao lado, enquanto a leoa que um dia trouxe sob minha pele jaz longe, muito longe de qualquer lugar real.Em dias assim, nao tenho forma definida.Cadeira, mesa, porta, qualquer dessas coisas tem mais consitência que eu.Sumi dentro de mim,ficou um vazio tao estranho!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Leo Makes Me Feel Brand New


Chegamos da rua agora. O vento sopra gelado. Anoite continua chegando adiantada, levando-nos um bom pedaco do dia. Mas a noite,apesar de nos levar a claridade, traz-nos o direito de mergulhar nas cobertas,sem culpa ou arrependimento.
Melhor fechar os olhos sem lembrar que lálonge crianças nao tem sequer...sim, melhor mudar o pensamento.

A noite traz outra coisa deliciosa. Ummenino cantor, que acompanha cada trechinho com quase-palavras, seguindo amelodia com a maestria de quem já descobriu que pra dormir bem, há que chamar abeleza pra perto. Menino decidido, que elegeu sua própria cançao de ninarfora do repertório oferecido.

A voz do menino embala meu coraçao quasegelado (efeito da ventania la fora)...sua cançao preferida embala seu soninhomerecido...e meu coraçao



You Make Me Feel
Brand New


My love

I'll never find the words, my love

To tell you how I feel, my love

Mere words could not explain

Precious love

You held my life within your hands

Created everything I am

Taught me how to live again


Only you

Cared when I needed a friend

Believed in me through thick and thin

This song is for you

Filled with gratitude and love


God bless you

You make me feel brand new

For God blessed me with you

You make me feel brand new

I sing this song 'cause you

Make me feel brand new


My love

Whenever I was insecure

You built me up and made me sure

You gave my pride back to me

Precious friend

With you I'll always have a friend

You're someone who I can depend

To walk a path that never ends


Without you

My life has no meaning or rhyme

Like notes to a song out of time

How can I repay

You for having faith in me


(Recorded by Simply
Red)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Crônicas futuras

Maternidade

Segunda lingua

Peculiaridades do Reino Unido

Estudar numa cultura diferente

Saudades do Brasil

Medo do Brasil

Mar português